Brasileiros acreditam que a cor da pele influencia no mercado de trabalho

A maioria dos brasileiros acredita que a raça exerce influência na vida das pessoas, principalmente em relação ao mercado de trabalho, conforme pesquisa divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta sexta-feira (22/07). Um estudo com dados regionais da subseção Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) do Sindicato dos Químicos do ABC exemplifica um pouco deste cenário.

A “Pesquisa das características étnico-raciais da população: um estudo das categorias de classificação de cor ou raça” foi realizada em 2008, em 15 mil domicílios dos Estados do Amazonas, Paraíba, São Paulo, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Distrito Federal. O IBGE adotou as seguintes categorias de classificação de raça: branca, preta, parda, amarela e indígena, além de morena e negra.

De acordo com o resultado, 63,7% dos entrevistados avaliaram que a cor ou raça influencia em suas vidas, principalmente entre os pesquisados do Distrito Federal (77%) e São Paulo (65,4%). Em todos os Estados, por sinal, mulheres e pessoas, entre 25 e 39 anos, se sobressaíram nessa resposta.

Entre as situações nas quais a cor ou raça têm maior influência, o trabalho aparece em primeiro lugar (71%), seguido pela relação com a polícia/justiça (68,3%), o convívio social e a escola (59,3%).

A atendente de telemarketing Juliana Arruda, 19 anos, também acredita que a cor influencia em sua vida. “Infelizmente, ainda existe muito preconceito e eu percebo que já perdi muitas oportunidades de emprego por ser negra”, disse.

Já o analista de suporte, Daniel Fonseca, 26 anos, acredita que o preconceito existe, mas não percebe a influência negativa. “Em toda entrevista de trabalho eu era praticamenteo único negro e sempre fui contratado. O preconceito está na cabeça das pessoas. E, para mim somos iguais, o preconceito existe é claro, mas, isso não me atinge de maneira positiva ou negativa”.

Os dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego da subseção do Dieese do Sindicato dos Químicos do ABC e da Fundação SEADE baseada na última década na Região do ABCD ajudam a ilustrar o cenário do mercado de trabalho na Região, aonde o trabalhador negro ainda recebe menos.

‘Este estudo demonstra que há desigualdade de remuneração. Os trabalhadores negros recebem, em média, R$ 1.024, ou apenas 63% do que recebem os trabalhadores não-negros na Região. Esta desigualdade era pior no início da década, negros recebiam, em média, apenas 58% da remuneração média de não-negros.’

ABCDMAIOR

Autor: Salvador Neto

Jornalista, escritor, e consultor. Editor do Palavra Livre, apresentou o programa de entrevistas Xeque Mate na TV Babitonga Canal 9 da NET entre 2012/2014 e vários programas de rádio em SC. Tem mais de 30 anos de experiência nas áreas de jornalismo, comunicação, marketing e planejamento. É autor dos livros Na Teia da Mídia (2011) e Gente Nossa (2014). Tem vários textos publicados em antologias da Associação Confraria das Letras, onde é membro fundador e foi diretor de comunicação. Como freelance, escreve para vários veículos de comunicação do país.

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