Câmara homenageia o centenário de Allende

Boa lembrança e merecida homenagem a um grande estadista e democrata de verdade, Salvador Allende, que a Câmara dos Deputados realizou na manhã desta terça-feira. Esse cidadão chileno deu a vida em favor da democracia lutando até o fim contra a ditadura e a violência. A matéria traz mais detalhes para quem sabe quem foi Allende, e para quem quer saber porque essa homenagem:

Em sessão solene realizada nesta manhã para homenagear o centenário de nascimento do ex-presidente do Chile Salvador Allende, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, afirmou que o político foi um homem público que literalmente levou às últimas conseqüências suas convicções democráticas. Allende foi eleito presidente em setembro de 1970 e teve seu mandato e sua vida interrompidos pelo golpe militar de setembro de 1973. Os militares golpistas bombardearam o Palácio de La Moneda, onde estava Salvador Allende. Antes do bombardeio do Palácio, o presidente recebeu a proposta de embarcar em um avião para que saísse do Chile com a sua família, mas não aceitou.

Chinaglia lembrou que, assim como o presidente Allende, muitos brasileiros morreram durante o governo militar no Chile. Outros que tinham se refugiado naquele país tiveram que fugir. “Mas nós tínhamos a convicção de que a reação não tardaria e muitos precisaram se imolar. E um deles, dos mais emblemáticos, foi exatamente Salvador Allende”, contou. Por isso, observou, quando se homenageia Allende, também se está homenageando os que morreram, foram perseguidos ou tiveram que se exilar por causa de suas convicções políticas.

Allende foi o primeiro marxista eleito presidente na América Latina em um pleito democrático. “Crítico ardente do capitalismo, representou um tipo de revolucionário. Talvez não se tenha encantado pela tese da tomada do poder pelas armas. Depositava suas esperanças nas mudanças pelas urnas, acreditando na possibilidade de instaurar o socialismo em meio às demais forças políticas organizadas ou, dependendo, apesar delas”, disse.

Segundo Chinaglia, o presidente chileno tomou decisões “duras” para qualquer época, como a estatização dos bancos. Além disso, acrescentou Chinaglia, Allende lutou pela reforma agrária e pela nacionalização das indústrias, das minas de cobre, salitre, iodo e carvão mineral. “Ele foi muito além daquilo que se cogitava em qualquer outro país naquele momento”, ressaltou.

Ícone da esquerda
Para o autor do requerimento para realização da homenagem, deputado Vieira da Cunha (PDT-RS), em razão da circunstâncias da morte de Allende, ele se converteu em um dos ícones das forças de esquerda de todo o mundo. “Homenageá-lo é lembrar e saudar a luta de todos os militantes socialistas que tombaram perante as ditaduras militares que se instalaram mais ou menos na mesma época em nosso continente, usurpando a vontade soberana do povo expressa em eleições livres e democráticas”, disse.

O deputado Paulo Renato Souza (PSDB-SP), co-autor do requerimento da sessão, disse que o exemplo de Salvador Allende deve acompanhar aqueles que acreditam na “autodeterminação dos povos”. O momento, na avaliação do parlamentar, é ideal para lembrar o sacrifício de milhares de pessoas perseguidas, torturadas e mortas pela repressão que se seguiu ao golpes de estado no Chile. “Passados 35 anos, a utopia econômica e social proposta pela Unidade Popular parece fazer parte de uma história já distante. Entretanto, ainda está muito presente entre nós o sentimento de hospitalidade e solidariedade com que o presidente Salvador Allende e o povo chileno receberam muitos de nossos compatriotas, obrigados a deixar o Brasil por motivos políticos”, afirmou.

Paulo Renato também destacou que “jamais perderá atualidade o exemplo de grandeza, coerência e bravura desse homem, que, de arma na mão e cercado de poucos companheiros, resistiu até a morte, defendendo suas convicções e seu mandato, no Palácio de La Moneda, bombardeado e em chamas“.

Autor: Salvador Neto

Jornalista, escritor, e consultor. Editor do Palavra Livre, apresentou o programa de entrevistas Xeque Mate na TV Babitonga Canal 9 da NET entre 2012/2014 e vários programas de rádio em SC. Tem mais de 30 anos de experiência nas áreas de jornalismo, comunicação, marketing e planejamento. É autor dos livros Na Teia da Mídia (2011) e Gente Nossa (2014). Tem vários textos publicados em antologias da Associação Confraria das Letras, onde é membro fundador e foi diretor de comunicação. Como freelance, escreve para vários veículos de comunicação do país.

Um comentário em “Câmara homenageia o centenário de Allende”

  1. Com certeza, justamente você deveria lembrar da homenagem ao centenário de Salvador Alliende. Tudo a ver…
    Um abraço
    Antonio Peres

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